
Analogicamente falando, se 11 de setembro de 2001 representou um atentado aos Estados Unidos, 02 de maio de 2011 ocorreu um novo atentado: ao jornalismo.
Eu nunca vi algo tão amador e despreparado como a cobertura jornalística referente à morte de Osama Bin Laden. Acompanhei tudo pela madrugada e a impressão que tive, que talvez nem seja a impressão, mas a realidade, é a de que os jornalistas estavam com mais sono do que eu. Era como se, pela madrugada pegassem um grande balde de água trincando e atirassem sobre as camas dos pobres repórteres que, ao acordarem assustados apenas ouviam a seguinte ordem: Osama foi morto, informem!
Certo, informar é uma coisa, mas não foi apenas isso que ocorreu. Segundo um modelo de sensacionalismo com as influências de Indústria Cultural, tivemos uma madrugada informativamente horripilante! O circo dos horrores da mídia foi aberto com direito a redundâncias, gagueiras e montagens toscas padrão Paint Brush.
Faltou assunto. Horas mostrando a fachada da Casa Branca, com milhares de norte americanos comemorando a morte de Osama e o possível cano no trabalho de segunda. Tudo isso ao som de repetidas frases que informavam que Bin Laden estava morto, e uma sessão "nostalgia 2001" estilo Retrospectiva Rede Globo. Sem novidades, sem informações.
Teve um correspondente da Globo News que, nos primeiros quinze minutos pensei que falava por código morse até, infelizmente, perceber que ele não conseguia era concluir os raciocínios. Um show de "é... que... bem... que... que... que... é... que...". Acho que tenho uma pista de quem matou Bin Laden, pelo nervosismo do cara... Achei que ao fim do anúncio ele diria "p... po... por... ho... hoje... é... só... pe... pe... pessoal", ao som de Looney Tunes.
Apesar de Osama ter sido morto, o repórter da Band News e a legenda da Fox News, assim como muitos outros, teimavam em matar o Obama. Alguns até geraram um conspirador grau de parentesco entre os dois, criando um tal de Obama Bin Laden. Seria uma homenagem?
Ao meio da semana tivemos uma série de outros atentados, como as manchetes cretinas de revistas importantes. Só para vocês terem uma idéia, segue abaixo três exemplos:
- Isto É: O mundo não está seguro. (novidade será quando a Isto É dizer que ele ESTÁ seguro);
- VEJA: O mundo depois de Bin Laden. (como sempre épica... e cretina);
- Época: O fim? (suuuuuuuuper criativo! Isso que é poder de síntese...).
Do modo que as coisas fluem, não me espantaria se, seguindo o tema, a Ana Maria Braga ensinasse a fazer kibe e bomba de chocolate, o preço da Bib'sfiha subisse e a Al Quaeda se vingasse atacando os Mc Donald's...
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